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Dia de São Jorge, o santo protetor dos guerreiros da vida
19/04/2015
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Na parede, uma imagem de São Jorge, santo de pobre e de preto. E, assim, nas palavras do maior dramaturgo do Brasil, Nelson Rodrigues, na obra Anjo Negro, ficou conhecido aquele santo que veio de uma região tão nobre quanto a Capadócia, na Turquia. E que veio a ser cultuado com uma força sobrenatural nas favelas e vielas da Zona Norte do Rio de Janeiro, e por todo o Brasil.

Os devotos tem no símbolo da espada a proteção para vencer os obstáculos da vida.

Os devotos tem no símbolo da espada a proteção para vencer os obstáculos da vida.

No Rio, mais especificamente, o dia de São Jorge é feriado. Na virada da madrugada para o dia de São Jorge, há uma explosão de fogos de artifícios que só perde para a festa de réveillon em Copacabana.
Seus fiéis amanhecem na porta de duas igrejas: uma no centro da cidade, no Campo de Santana, e, a outra, a igreja oficial de São Jorge, em Quintino, cujo acesso é quase impossível. O trânsito, já a partir das 18 horas do dia anterior, é intenso. Um detalhe da verdadeira história das duas igrejas contada por historiadores e pelos antigos cablocos escravos e devotos do Santo, a igreja do campo de Santana tem o nome desde de sua criação de Paroquia de São Gonçalo. Com a chegada de D. João VI fugido de Portugal começa uma nova fase da Paroquia. D.João não viaja sem o seu digamos pé de coelho que era a imagem do Santo Guerreiro, ao chegar no Rio pediu gentilmente um espaço na Paroquia de São Gonçalo para ali colocar a sua imagem tão venerada. Pedido de rei atendido e ali ele fazia as suas orações. Para agradar o rei foi acrescentado o nome de Paroquia de São Gonçalo e São Jorge, com o passar dos anos a procura por São Jorge foi tão grande que o primeiro nome caiu em desuso.
A veneração por São Jorge cresce a cada ano, com várias festas, e, principalmente, rodas de samba. Algumas escolas de samba do Rio de Janeiro têm em São Jorge a sua força para entrar na avenida. A primeira delas, sem dúvida, é a Beija-Flor de Nilópolis, e, a segunda, o Império Serrano. A Vai vai de São Paulo manda suas ala das baianas para confraternizar e renovar os votos de fé para o carnaval do próximo ano.
A vestimenta é sempre dominada pelo branco e vermelho, dos pés a cabeça. De vinte anos para cá, o estilista Beto Neves, um devoto de São Jorge guerreiro é o pioneiro em levar as crenças e a cultura carioca para a moda, incluindo camisetas de muito bom gosto, com várias estampas do Santo guerreiro que viraram mania entre os devotos de Jorge. Sua loja fica na galeria River, no Arpoador, e tem o site www.complexob.com.br
Todo dia 23 de abril, nas portas das duas igrejas em homenagem ao Santo guerreiro, formam-se várias rodas de samba e de macumba. Mamãe sempre dizia que oferenda para São Jorge é vela de 7 dias e uma garrafa de cerveja quente, que tem que ser Brahma. Aliás, cerveja de sambista e filho de São Jorge é, e sempre será Brahma.
Lembra do Ponto Chic, lá em Padre Miguel? Então, fica em festa no dia do São Jorge Guerreiro. Tem a roda de samba do projeto Crioulice, que oferece a todos os devotos a energia de cantos e sambas que falam de Ogum.
A rotina no dia de celebração é a seguinte: comparecer na porta da igreja no Centro nas primeiras horas da madrugada, ver os cavaleiros da Polícia Militar chegarem em marcha com a imagem do santo, esperar amanhecer, e partir para Quintino, entrar na enorme fila da igreja e, se for possível, tocar a imagem, e acender uma vela. Daí, seguir para Padre Miguel para cantar, com toda força, “Eu sou descendente Zulu/ Sou um soldado de Ogum / Um devoto dessa imensa legião de Jorge/ Eu sincretizado na fé/ Sou carregado de axé…”

Salve Ogum.
Salve São Jorge.

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William Vorhees

William Vorhees

Sou profissional de educação física de formação superior, ator e roteirista, criador de uma de marca de roupa esportiva, colaborador de assuntos referentes a comportamentos do Rio de janeiro Estudei cinema e criei este blog para compartilhar um pouco do meu dia-a-dia pelos diferentes mundos, dentro desse lindo mundo, que é a minha cidade, o Rio de Janeiro – onde nasci dei a volta ao mundo e aqui continuo cruzando a cidade de norte a sul, leste e oeste. Aqui você tem um pouco dos costumes, crenças, e atitudes do dia a dia da cidade, tudo com embasamento e credibilidade. Seja bem vindo ! Vamos que vamos !

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